A aprovação das novas regras fiscais, baseadas na EC 132/2023, LC 214/2025 e Decreto 12.955/2026, já começou a transformar a rotina de empresas de todos os portes. Em meio a tantas novidades, sentimos que o papel da contabilidade digital vai além das obrigações acessórias: precisamos ser parceiros estratégicos para orientar escolhas seguras e ajudar cada negócio a aproveitar oportunidades.
As bases da reforma tributária e início das obrigações
Um dos pontos que mais observamos em 2026 é o início da cobrança simbólica do CBS (0,1%) e IBS (0,05%) em fase teste. As incidências, ainda pequenas neste primeiro momento, já se tornam obrigatórias e os valores pagos poderão ser compensados com PIS/COFINS do mesmo período. Isso exige atenção desde já, pois a fiscalização será bastante rigorosa.
Empresas devem mapear seus clientes por regime tributário e iniciar quanto antes as análises: o perfil do cliente determinará quais caminhos escolher.Quem atua no Simples Nacional, por exemplo, vai precisar decidir se permanece recolhendo tributos dentro do DAS, o Documento de Arrecadação do Simples, ou migra para fora. Há impactos diretos nessa decisão, especialmente para quem faz negócios principalmente B2B.
Simples nacional: decisões estratégicas e impacto no crédito
A escolha pelo modelo dentro ou fora do DAS define o potencial de manutenção dos clientes e a facilidade operacional. Separando:
- Tributação dentro do DAS: Menos trabalho no cotidiano, já que toda arrecadação vem em um único boleto. Porém, o crédito gerado ao comprador é limitado. Isso favorece as vendas de empresas B2C, com o público final, mas pode perder força na retenção de clientes empresariais.
- Tributação fora do DAS: Processo mais complexo, maior necessidade de controles e análise, mas os clientes podem aproveitar o crédito integral. Isso favorece vendas e parcerias entre empresas.
A Prímor Contabilidade frequentemente recomenda simulações comparando volume de receita B2B com os cenários tributários possíveis. Empresas que operam em mercados altamente competitivos, com clientes empresariais sensíveis à creditação de impostos, podem se beneficiar de analisar profundamente essas alternativas.
Outro ponto fundamental é o inventário de estoques. Até 31/12/2026, será obrigatório realizar esse inventário para garantir o crédito presumido de 9,25% sobre o valor do estoque, que poderá ser apropriado em 12 parcelas mensais sobre débitos do CBS a partir de julho de 2027. O zelo nesse processo faz diferença no fluxo de caixa e pode representar um excelente fôlego financeiro em um ano de adaptação.
Impactos para lucro presumido e lucro real
No Lucro Presumido, a reforma substitui o PIS/COFINS cumulativo (3,65% sem direito a crédito) pelo CBS não cumulativo, que permite créditos amplos sobre insumos. Muitas empresas verão redução na carga total, mas setores com maior peso de serviços podem ter aumento – por isso, sugerimos analisar detalhadamente o perfil até 2027, contrário a decisões precipitadas.
No Lucro Real, percebemos uma transição mais suave, dado que as empresas já estão acostumadas ao sistema não cumulativo. Entretanto, haverá ampliação relevante na base de créditos aproveitáveis.
Estudos apontam que a alíquota de referência do CBS deve alcançar 8,8% em 2027, motivando empresas a planejarem compras e vendas de forma estratégica, para otimizar a recuperação de créditos e evitar surpresas na transição do regime, conforme análises econômicas recentes análise de pesquisa econômica aponta impactos relevantes pela mudança.
Split payment e transformação no fluxo de caixa
Um dos mecanismos mais disruptivos trazidos pela reforma é o Split Payment. O imposto será retido já no ato do pagamento, sem espaço para “guardar” o dinheiro, como antes. Isso muda o jeito de pensar o caixa e reforça a necessidade de organização financeira. Transações em dinheiro ou cheque serão regulamentadas à parte, exigindo atenção especial das equipes.
Preparar o fluxo de caixa para o split payment é planejar para não ser surpreendido.
Nosso conselho é iniciar simulações rápidas e trabalhar cenários de recebimento e pagamento já em 2026, ganhando tempo para amadurecer processos e sistemas internos.
Regimes em transição e obrigações acessórias duplas
Em 2026 e 2027, haverá uma convivência entre as novas e antigas regras. Empresas precisarão lidar com o regime duplo: CBS e IBS, em fase obrigatória de testes, enquanto PIS/COFINS permanecem até 2033. Isso traz o desafio de acompanhar legislações, prazos distintos e obrigações acessórias cumulativas.
O monitoramento constante da legislação é indispensável nesse cenário, pois ajustes podem ser frequentes até que o novo sistema esteja consolidado.
- O CBS terá caráter federal.
- O IBS será gerido em âmbito estadual e municipal. Ambos compartilham base de cálculo, regras de crédito e fato gerador, mas com administrações e competência fiscalizadora distintas.
Caso a caso: questões setoriais e detalhes práticos da nova lei
Setores específicos serão mais afetados. Destacamos:
- Locação de bens por pessoa jurídica passa a ser tributada pelo novo modelo.
- Clínicas médicas terão direito a CBS reduzido em 60% por regime diferenciado.
- Empresas precisam revisar a tabela de alíquotas por NCM e checar atualização dos campos de IBS/CBS em seus sistemas de faturamento.
- Incorporadoras com RET devem optar pelo regime especial até 01/01/2029.
- O cashback do CBS será automático para famílias no CadÚnico, sem gerar nova atuação para as empresas.
É hora de repensar os canais de recebimento. Transações feitas via CPF fora do CNPJ serão cruzadas com obrigações acessórias. Isso implica reestruturação das formas de cobrança e recebimento para garantir mais controle e compliance fiscal.
O que não muda e orientações finais
Alguns impostos permanecem inalterados: IRPJ e CSLL continuam vigentes sob as regras atuais. O momento é de calibrar o radar e buscar recursos que ofereçam informações claras e apoio qualificado, como simuladores de impacto fiscal e orientação contábil.
Destacamos sempre aos clientes que todo conteúdo serve de base informativa e que mudanças podem ocorrer, exigindo atualização constante, acompanhamento próximo de especialistas e atenção a cada fase do calendário fiscal. Para mais esclarecimentos e para conhecer outras estratégias para 2026 e 2027, sugerimos leitura do artigo com comparativos práticos entre os regimes.
Cada decisão agora pode gerar impactos duradouros no resultado e saúde financeira do negócio.
Na Prímor Contabilidade, somos movidos a parcerias e queremos simplificar a transição para nossos clientes e leitores. Nossa plataforma digital, como a Prímor Scale, foi desenvolvida para proporcionar atendimento consultivo, gestão financeira ágil e clareza em todas as obrigações tributárias. Para um passo além, acesse também nosso guia detalhado com impactos práticos da reforma e converse com nosso time.
Perguntas frequentes
O que muda com a Reforma Tributária?
A forma de apuração e recolhimento de tributos sobre bens e serviços muda profundamente. Haverá CBS federal e IBS estadual/municipal substituindo diversos tributos, com mecanismo de split payment e possibilidade de créditos mais amplos, além de regras setoriais específicas. Todo o processo começa em fase de teste já em 2026.
Como a Reforma Tributária afeta empresas?
Empresas precisarão ajustar controles financeiros, revisar o regime tributário, investir em compliance e atualizar sistemas internos. A escolha entre tributação dentro ou fora do DAS será crucial para negócios do Simples Nacional, enquanto Lucro Presumido e Lucro Real exigirão análises detalhadas de crédito e fluxo de caixa.
Quais impostos serão alterados em 2026?
O CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal) começam a valer, ainda em alíquotas baixas, substituindo aos poucos PIS/COFINS, ISS e ICMS. Outros tributos, como IRPJ e CSLL, permanecem com regras atuais.
Vale a pena antecipar mudanças fiscais?
Simular cenários, revisar estrutura de recebíveis e fazer o inventário de estoques antes do último prazo são caminhos prudentes. A antecipação traz vantagem na apropriação de créditos e reduz risco de inconsistências. Mudanças fiscais profundas pedem planejamento e preparação.
Como se preparar para a nova legislação?
Acompanhe publicações oficiais, consulte especialistas e faça uso de simuladores de impacto tributário. Atualize os sistemas de emissão fiscal, estruture processos de inventário e treinamentos internos, e garanta que sua empresa opere dentro das novas regras. O apoio de parceiros consultivos como a Prímor Contabilidade pode tornar toda a adaptação mais simples e segura.

